São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Bahia, Paraná, Rio Grande do Sul, Pernambuco e Ceará somam mais de 100 milhões de eleitores e correspondem a quase 70% do total de brasileiros aptos a votar neste ano.
Lula enfrenta o desafio de crescer no Sudeste, principalmente em São Paulo e Minas Gerais, que contam com os dois maiores eleitorados do país, enquanto Flávio busca ganhar votos no Nordeste, onde o petista tem tradicionalmente mais votos.
A neutralidade de partidos como Republicanos, Podemos e da federação formada por União Brasil e PP abriu caminho para Lula ganhar espaço, principalmente em Minas Gerais e no Rio de Janeiro, reduto de Flávio.
Em outra frente, Flávio escolheu um vice — o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) — do Nordeste buscando ganhar terreno e diminuir a vantagem histórica de Lula na região. Em 2022, quando enfrentou Jair Bolsonaro, Lula teve 69,34% dos votos válidos da região.
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Veja abaixo o cenário nos oito maiores palanques do país:
São Paulo
Minas Gerais
Rio de Janeiro
Bahia
Paraná
Rio Grande do Sul
Pernambuco
Ceará
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL)
Arte g1
São Paulo
O ex-ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), disputa com o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o maio colégio eleitoral do país, com 31,2 milhões de eleitores. O seu primeiro desafio é levar a disputa para o segundo turno.
Fernando Haddad e Tarcísio de Freitas em debate na Band
Renato Pizzutto/Band
Com esse objetivo, o palanque de Lula em São Paulo é composto por quatro ex-ministros. Além de Haddad, Márcio França (PSB), que esteve à frente dos ministérios do Empreendedorismo e de Porto e Aeroportos, é o candidato à vice governador.
Para o Senado, a chapa conta com Simone Tebet (PSB), que esteve à frente do Ministério do Planejamento, e Marina Silva (Rede), que comandou a pasta do Meio Ambiente.
A aposta da campanha é que a chapa, composta por políticos experientes, passa a mensagem da frente ampla que elegeu Lula em 2022. No lançamento da candidatura de Haddad no fim do mês de julho, o presidente afirmou que a campanha da oposição será baseada em mentiras porque não possuem “biografia”.
Do lado de Flávio, a chapa conta com Tarcísio como favorito a permanecer no Palácio dos Bandeirantes, com o ex-secretário de Segurança Pública do estado, Guilherme Derrite (PP), e André de Paula (PL), candidatos ao Senado.
Flávio marcou presença no lançamento oficial da candidatura de Tarcísio à reeleição. Na ocasião, recebeu o apoio do governador, que chegou a ser cotado para encabeçar a chapa do bolsonarismo ao Palácio do Planalto.
O apoio de Tarcísio, no entanto, não foi o suficiente para que seu partido, o Republicanos, embarcasse nacionalmente na campanha de Flávio.
A possibilidade de liquidar a eleição no primeiro turno é vista pela campanha de Flávio como uma forma de deixar Lula sem espaço no maior colégio eleitoral do país no segundo turno da eleição presidencial, consolidando o voto Tarcísio-Flávio.
Apesar disso, integrantes da campanha avaliam que uma eleição definida no primeiro fim de semana de outubro poderia afastar o eleitor paulista das urnas no segundo turno da disputa para presidente.
Minas Gerais
Em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, com 16,7 milhões de eleitores e que carrega a fama de “quem ganha em Minas, ganha no Brasil”, tanto Lula quanto Flávio Bolsonaro não conseguiram emplacar os palanques que desejavam.
Lula tentou de todas as formar articular a candidatura do ex-presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB), ao governo do estado como uma forma de atrair o eleitor de centro, mas o senador decidiu deixar a vida pública.
Diante da negativa de Pacheco, mas buscando ainda uma sinalização ao centro, o PT local chegou a negociar também a candidatura de Josué Gomes da Silva, ex-presidente Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp).
Sem sucesso, o PT local lançou o ex-prefeito de Belo Horizonte, Patrus Ananias, com Jarbas Soares Júnior (PSB) como vice.
Para o Senado, a candidata do partido é a ex-prefeita de Contagem, Marília Campos (PT).
Do lado de Flávio, o cenário em Minas Gerais foi marcado por confusão e definido apenas no último dia de convenções com o lançamento de Flávio Roscoe (PL) como candidato ao governo.
Patrus Ananias (PT-MG) e Flávio Roscoe (PL)
Thiago Cristino / Câmara dos Deputados e Divulgação
O ex-deputado federal Charlles Evangelista (PL) será o candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Flávio Roscoe (PL).
O palanque ideal de Flávio em Minas teria o senador Cleitinho (Republicanos) como cabeça de chapa concorrendo ao governo do estado. O parlamentar, no entanto, protagonizou uma sequência de idas e vindas, desistindo e retomando a candidatura, e acabou barrado pelo partido de concorrer.
Líder nas pesquisas, Cleitinho foi lançado como pré-candidato ao governo de Minas e adiou sucessivamente a decisão sobre a disputa. Ele faltou à convenção que poderia oficializar seu nome, viu o partido barrar a candidatura, anunciou a desistência e voltou a pedir a vaga no dia seguinte.
O parlamentar justificou a indefinição em função do luto pelo falecimento de seu irmão Matheus vítima de leucemia no dia 18 de julho.
Na noite desta sexta-feira (7), após mais uma reviravolta, Cleitinho conseguiu reverter a decisão do partido e o Republicanos confirmou a candidatura do senador ao governo de Minas.
Apesar da confirmação de Cleitinho, o PL local deve manter a candidatura de Flávio Roscoe.
Sem os palanques sonhados por Lula e Flávio, Minas apresenta uma disputa fragmentada e deixa em aberto o impacto que o estado costuma ter no resultado da eleição nacional.
Rio de Janeiro
Flávio Bolsonaro enfrentou dificuldades para construir alianças em torno de seu palanque no seu próprio reduto eleitoral, o Rio de Janeiro, que possui 13,5 milhões de eleitores.
Inicialmente, o palanque de Flávio teria Douglas Ruas (PL) como candidato ao governo, além do ex-governador Cláudio Castro (PL) e do ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União Brasil) concorrendo ao Senado.
Castro desistiu de disputar uma vaga no Senado após ser alvo de duas operações da Polícia Federal (PF).
A primeira investigou um suposto esquema de fraudes fiscais, evasão de recursos públicos e favorecimento ilegal ao Grupo Refit, considerado um dos maiores devedores de impostos do país.
A segunda apurou aportes de recursos públicos do Rio de Janeiro para o conglomerado de Daniel Vorcaro.
Depois foi a vez de Canella desistir de disputar o Senado para tentar novamente ser deputado estadual, cargo que já ocupou, após a federação composta por União Brasil e PP abandonar o palanque do PL. A tendência é que a executiva carioca siga a posição nacional e fique neutra no Rio de Janeiro.
Antes disso, Canella foi alvo, em julho, da Operação Unha e Carne, da PF, que mirou um esquema de lavagem de dinheiro em postos de gasolina – acusação que ele nega.
As movimentações obrigaram o PL a lançar uma chapa “puro sangue” no Rio de Janeiro. O senador Carlos Portinho e o deputado Carlos Jordy vão disputar as vagas no Senado, enquanto a vice de Douglas Ruas ficará com a vereadora de Niterói, Fernanda Louback, também do PL.
O derretimento das alianças deixa o PL com menos da metade do tempo de TV do candidato de Lula ao governo, o ex-prefeito Eduardo Paes (PSD).
Líder nas pesquisas, Paes promete um palanque forte ao presidente Lula no estado que é o berço do bolsonarismo. O palanque do petista terá ainda Benedita da Silva (PT) concorrendo ao Senado.
Douglas Ruas e Eduardo Paes (PSD)
Reprodução/Governo do Rio de Janeiro e Onofre Veras/TheNews2/Estadão Conteúdo
Bahia
Na Bahia, que reúne 11,8 milhões de eleitores, o cenário segue favorável ao presidente Lula, embora o governador Jerônimo Rodrigues (PT) esteja atrás de ACM Neto nas pesquisas.
Jerônimo Rodrigues é pré-candidato à reeleição na Bahia
Amanda Ercília/Governo da Bahia
Apesar de liderar as pesquisas contra o candidato de Lula, ACM já declarou que não será o palanque de Flávio Bolsonaro no estado e apoiará a candidatura de Ronaldo Caiado ao Palácio do Planalto.
“Eu não tenho outro caminho que não reconhecer uma história de amizade, de parceria e de longa construção política com Ronaldo Caiado. Por isso, essa é a minha posição”, afirmou ACM Neto.
Apesar da posição de ACM deixar Flávio sem palanque no estado, os candidatos ao Senado na chapa, Angelo Coronel (Republicanos) e João Roma (PL), já declararam voto no candidato do PL.
Do lado de Lula, o palanque foi atingido em cheio pelo escândalo do Banco Master após a revelação das conexões do senador Jaques Wagner (PT) com o empresário Augusto Lima, sócio de Daniel Vorcaro.
Wagner é candidato à reeleição na chapa “puro sangue” do PT na Bahia, que conta também com o ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa, como candidato ao Senado.
Apesar de Wagner ser investigado no escândalo do Master, o tema não deve dominar o debate político na Bahia em função de um pacto velado de “não agressão”.
Isso porque, do outro lado da disputa, uma empresa de ACM Neto recebeu R$ 3,6 milhões em pagamentos efetuados pelo Banco Master, de Daniel Vorcaro, e da gestora de investimentos Reag.
Paraná
No Paraná, quinto maior colégio eleitoral com 8,9 milhões de eleitores, Flávio Bolsonaro fechou alianças mirando explorar a Operação Lava Jato, que teve origem na capital do estado.
O palanque tem o senador Sergio Moro (PL), antigo juiz da Lava Jato, concorrendo ao governo, e o ex-deputado federal, Deltan Dallagnol (Novo), que comandou a força-tarefa da operação, como candidato ao Senado. O outro candidato ao Senado é o deputado federal Filipe Barros (PL).
Hoje filiado ao PL, Moro já teve a legenda como adversária. O partido comandado por Valdemar Costa Neto chegou a pedir a cassação do mandato dele, alegando abuso de poder político e econômico durante as eleições
Do lado de Lula, a estratégia será explorar a tese de que a operação Lava Jato sempre teve objetivos políticos, e não jurídicos.
O palanque de Lula terá o deputado estadual Roberto Requião Filho (PDT), como candidato ao governo, enquanto para o Senado os nomes são os da ex-ministra de Relações Institucionais e deputada federal, Gleisi Hoffman (PT), e do ex-deputado federal Doutor Rosinha (PT).
Senador Sérgio Moro (PL-PR) e Requião Filho (PDT)
Waldemir Barreto/Agência Senado e Assembleia Legislativa do Paraná
A campanha de Lula aposta que as candidaturas locais podem crescer em meio a disputa no campo da direita entre o grupo de Flávio Bolsonaro e do atual governador, Ratinho Jr (PSD).
Antes cotado para disputar a Presidência da República, Ratinho Jr. tenta agora viabilizar a candidatura do deputado federal Sandro Alex (PSD) à sua sucessão. O apoio de Flávio a Moro, no entanto, enfraqueceu a candidatura.
Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, que conta com 8,8 milhões de eleitores, o palanque de Flávio Bolsonaro terá o que falta no âmbito nacional: o apoio de partidos como PP, Novo, Republicanos, Podemos.
O PL lançou o deputado federal Luciano Zucco candidato ao governo em uma chapa que terá ainda os também deputados, Marcel Van Hattem (Novo) e Sanderson (PL), candidatos ao Senado.
Do lado do PT, essa é a primeira vez que o partido não terá candidato ao governo do Rio Grande do Sul. O palanque de Lula no estado terá Juliana Brizola (PDT) como candidata ao Palácio Piratini e Edegar Pretto (PT), que concorreu em 2022 e teve boa votação, como vice.
Luciano Zucco (PL) e Juliana Brizola (PDT)
Marina Ramos / Câmara dos Deputados e Gustavo Chagas/g1
Inicialmente, o diretório local petista decidiu que Pretto seria o candidato ao governo, mas a executiva nacional, em uma articulação liderada por Lula, determinou a composição com Juliana.
Completam o palanque petista no estado como candidatos ao Senado, Manuela d’Ávila (Psol) e o ex-ministro da Secretaria de Comunicação Social da Presidência e líder do governo na Câmara, Paulo Pimenta (PT).
Pernambuco
Em Pernambuco, colégio eleitoral composto de 7,2 milhões de votantes, fracassou a articulação da campanha de Lula para que o presidente tivesse um palanque duplo no estado, sendo apoiado tanto pela atual governadora Raquel Lyra (PSD), quanto pelo ex-prefeito de Recife, João Campos (PSB).
A demora de Raquel em sinalizar apoio a Lula e a pressão de João Campos — presidente nacional do PSB, partido do vice-presidente Geraldo Alckmin — levaram Lula a declarar apoio ao ex-prefeito do Recife.
A posição nacional gerou reações do PT local. Presidente do diretório municipal do partido no Recife, o vereador Osmar Ricardo pediu licença do cargo para apoiar a governadora e fazer campanha por ela.
O fracasso do palanque duplo de Lula, entretanto, não significa que Flávio Bolsonaro terá espaço no palanque de Raquel.
Prefeito do Recife, João Campos (PSB), em imagem de arquivo
PSB/Divulgação
A governadora, que agora lidera as pesquisas, adota um tom pragmático, optando pela neutralidade para, segundo interlocutores, evitar que a eleição local seja nacionalizada. A estratégia é a mesma de 2022, quando derrotou Marília Arraes.
A campanha de Raquel aposta em atrair o eleitor de centro com uma chapa que conta com Túlio Gadelha (PSD) e Eduardo da Fonte (PP) candidatos ao Senado.
Na chapa de João Campos, os candidatos ao Senado são Humberto Costa (PT), que disputa a reeleição, e Marília Arraes (PDT).
Nesse cenário, o principal cabo eleitoral de Flávio em Pernambuco será o deputado federal Mendonça Filho (PL), que é candidato ao Senado.
Ceará
A definição do palanque de Flávio Bolsonaro no Ceará foi o estopim para uma crise familiar com a madrasta, Michelle Bolsonaro, que abalou a campanha do filho mais velho de Jair Bolsonaro.
Após o PL local, comandado pelo deputado federal André Fernandes, fechar apoio a candidatura de Ciro Gomes (PSDB) para governador em troca da entrada de Alcides Fernandes, pai de André, como candidato ao Senado, Michelle criticou o movimento dizendo que apoiar Ciro era “fazer aliança com o mal”.
Em vídeos publicados nas redes sociais, a ex-primeira-dama expôs bastidores do partido e afirmou que tentou conversar com Flávio por telefone e foi tratada de maneira ríspida. Flávio negou ter desrespeitado ou humilhado Michelle.
A chapa de Ciro terá Roberto Cláudio (União Brasil), ex-prefeito de Fortaleza, como vice, e Capitão Wagner (União Brasil), ex-deputado federal, como candidato ao Senado.
Apesar composição, os partidos União Brasil e PP liberaram formalmente o apoio à reeleição do governador Elmano de Freitas.
Com Ciro Gomes liderando as pesquisas e podendo atrapalhar a votação de Lula em um estado onde é tradicionalmente bem votado, o presidente compareceu à convenção do PT que oficializou a candidatura à reeleição do governador Elmano.
Ciro Gomes (PSDB) e Elmano de Freitas (PT)
Marcos Serra Lima/g1 e Reprodução
No evento, Lula afirmou que não deixará a extrema-direita voltar a governar e minimizou a atuação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do presidente argentino, Javier Milei, para apoiar Flávio Bolsonaro.
O palanque de Lula terá ainda Cid Gomes (PSB) e a deputada federal Lizianne Lins (Rede) na disputa pelas vagas no Senado.
📰 Fonte: G1 – Ler Completa
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